Todos sabemos que a experiência escolar tem uma importância crucial na vida e percurso de cada um de nós, seja ou não pelos melhores motivos. Alguns terão boas histórias para contar, desde os amigos que fizeram, as coisas que aprenderam e os bons professores que tiveram. No entanto, muitos serão, também, os casos de pessoas que não sentiram que a escola fosse para elas, que as entendesse e soubesse acolhê-las, como espaço livre e seguro para crescerem, independentemente da sua bagagem intelectual, familiar e social. Pode acontecer de simplesmente sentirem que a escola e a aprendizagem, tal qual como lhe são apresentadas, não vão ao encontro dos seus objetivos e daquilo que pensaram para si, até porque, por exemplo, a vida pessoal e familiar é difícil e precisam de começar a ganhar dinheiro para se sustentarem a si e à sua família e nem sequer ponderam a continuidade dos estudos.

Seja qual for a situação é importante parar para analisar quais os passos a dar e onde eles nos poderão levar.

ESTÁS A PENSAR PARAR DE ESTUDAR E IR TRABALHAR?

É certo que nem todos precisam de tirar um curso no ensino superior e que existem diferentes áreas fundamentais ao nosso dia-a-dia que necessitam de profissionais tecnicamente especializados. No entanto, fazer esta escolha deve implicar também uma reflexão aprofundada que procure conjugar sonhos e expectativas de futuro com a realidade, uma vez que uma qualificação superior ainda possibilita melhores remunerações e maior percentagem de empregabilidade de uma forma geral.

Muitas vezes pode-se estar a ponderar esta opção por se sentir que o custo-benefício de se estudar mais uns anos não compensa face aqueles que poderão vir a ser os resultados (até porque o desemprego de jovens qualificados é elevado). 

Uma outra possibilidade poderá estar relacionada com a falta de informação e acompanhamento vocacional que ainda existe nas escolas e de articulação dos sistemas de ensino e formativos com o mercado de trabalho, resultando que jovens com percursos mais atribulados antecipem muitas dificuldades e não perspetivem saídas profissionais diferentes daquelas que conhecem nos seus meios sociais e familiares. A dificultar este processo está um desfasamento entre a oferta do sistema educativo e as necessidades do mercado de trabalho e o facto de, apesar do aumento significativo do recurso ao ensino vocacional (ou profissionalizante) nas últimas décadas, este ser desvalorizado e considerado como uma escolha de fim de linha, não possibilitando, muitas vezes, uma integração adequada dos jovens no mercado de trabalho. 

Atualmente sem ter formação superior existem algumas áreas em que o mercado do trabalho procura profissionais com perfil mais técnico e especializado (por exemplo, na área informática, da eletricidade, da indústria de uma forma geral), no entanto, outras estão relacionadas com tarefas de elevado desgaste, com poucas perspetivas de evolução e, por vezes, fracas condições de trabalho, como por exemplo, caixa de supermercado, operador de call center ou trabalho na restauração.

Para estes casos os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) poderão ser uma boa opção para alunos que terminam o secundário e não querem seguir o ensino superior, pois conferem uma qualificação de nível 5 do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ). Para além disso, existem os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) ministrados no ensino politécnico, com componentes de formação geral e científica, formação técnica e formação em contexto de trabalho, finalizados com a realização de um estágio, o que pode facilitar a inserção no mercado de trabalho numa área em crescimento.

PARA QUEM QUER CONTINUAR A ESTUDAR

Se no teu caso ponderas continuar a estudar o foco deve estar na conjugação das tuas características, interesses e competências com as oportunidades existentes, mas também com as necessidades e exigências do mercado de trabalho.

Como fazer isso? Dependendo do nível de compromisso e empenho de cada um é possível que isto só se consiga fazer recorrendo a um apoio especializado em Orientação Vocacional focado e direcionado para o teu perfil e objetivos.

De qualquer forma, para melhor conheceres e estares informado relativamente às possibilidades, saídas profissionais e perspetivas que um possível curso oferece no futuro é importante: 

  • Pesquisar informação sobre os cursos no site da Direção Geral do Ensino Superior (DGES), nomeadamente as instituições, médias e provas de ingresso, bem como, as estatísticas ao nível das taxas de desemprego do curso; 
  • Consultar nos sites das faculdades os planos curriculares dos cursos preferenciais;
  • Pesquisar sobre os cursos com mais saídas profissionais e perspetivas futuras; 
  • Visitar as faculdades preferenciais para esclarecer dúvidas; 
  • Falar com profissionais da área de forma a reunir informações credíveis e relevantes sobre um curso, profissão, o seu dia a dia seu enquanto profissional, quais as suas funções, quais os aspetos mais desafiantes e menos interessantes da sua profissão, etc. 

Reunindo os dados mencionados será possível fazer uma escolha que se espera que pondere diferentes fatores e, posteriormente, se revele acertada. 

Como sabemos, o mundo está em permanente transformação e aquelas profissões que hoje em dia são comuns, daqui a alguns anos poderão deixar de existir, da mesma forma que outras novas irão surgir. Bastará uma pesquisa rápida para perceber que as áreas tecnológicas e de inovação estão para ficar e que as que se interligam fortemente com estas como, por exemplo, algumas Engenharias terão boas perspetivas nos próximos tempos. 

Seja qual for a tua realidade, para que encontres oportunidades que vão ao encontro dos teus objetivos deves avaliar adequadamente cada possibilidade e tentar pensar mais no que poderás estar a fazer e onde poderás estar a longo prazo. O amanhã chega rápido e todos queremos estar satisfeitos e realizados com as opções que fazemos. Se ainda restarem dúvidas sobre estes temas contactem-nos através do serviço de Orientação Vocacional. Boas escolhas!


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